A Viúva e Seu Currículo

São vários os fatores que podem deixar estagnada a sua carreira. Pode ser um detalhe comportamental, a necessidade de desenvolver ou aprimorar habilidades e ajustes estratégicos para um posicionamento mais assertivo para o mercado de trabalho. É por isso que comecei a compartilhar cases que podem ajudar profissionais na reflexão e ação com a carreira que escolheu.

Adriana era a segunda cliente que eu atendi naquele dia. Ela chegou às 15h, para uma consultoria de 60 minutos. Já havia me passado o que esperava do trabalho e o qual era a sua intenção: retornar ao mercado de trabalho, depois de 03 anos afastada.

Quando a recebi, a sala se iluminou. Imagine uma pessoa radiante, que entra na sala já com um sorriso estampado no rosto e um aperto de mão firme. E logo de cara já dava pra perceber a sua vaidade com seu cabelo arrumado, maquiagem suave (combinando com a sua roupa), salto alto e outros adereços. De cara, a primeira impressão, era de uma mulher autoconfiante. Além de tudo tinha uma excelente comunicação verbal bem alinhada com a sua linguagem corporal. Sim, eu começo a analisar tudo assim que meu cliente chega. Aliás, preciso fazer isso para desenvolver o meu trabalho. Entender, a princípio, o que aquela imagem transmite e que impacto ela causa em quem a recebe. Mas será que a imagem transmitida está alinhada à imagem desejada? Aí só com mais tempo para descobrir isso.

Expliquei o meu trabalho, ela explicou a demanda dela. Complementou que estava fora do mercado de trabalho havia 03 anos, porque seu marido havia falecido e precisou de dois anos para cuidar da criação dos filhos e as modificações que se fazem necessárias num momento como esse. Fazia 06 meses que tentava distribuir currículos e não obtinha resultado. Foi chamada para entrevista apenas 02 vezes. Se sentia atrasada pro mercado de trabalho, o que acabava gerando uma certa frustração.

Formada em administração, 35 anos, sempre atuou na área e construiu uma carreira consistente enquanto estava na ativa. já nessa primeira sessão fizemos alguns ajustes técnicos. Afinal, o currículo é a sua carta de apresentação.

Na 2ª sessão, ela trouxe o currículo para eu ver as modificações. E saltou aos meus olhos, que ela não havia mudado o seu estado civil: viúva. Em todos os meus anos de experiência, nunca tinha visto esse estado civil num currículo. Muito embora, atualmente, esse não seja um requisito necessário para se colocar num CV. Perguntei o que significava ser viúva para ela e o que ela achava como as pessoas enxergavam alguém que se apresentava como tal. Ali ela começou a notar o desalinhamento. As pessoas a percebiam de forma atrativa num primeiro momento, mas logo que vinha à tona a sua viuvez, as pessoas se retraiam, ficavam mais cautelosas na comunicação e expressavam lamento. Pronto! Um bom começo! Até porque o processo de recrutamento e seleção é feito por pessoas que também são “influenciadas” com uma percepção de mundo, principalmente com julgamentos impregnados no inconsciente coletivo.  Naquele momento, ela me falou que já havia vivido o luto e que não se sentia mais uma viúva. Que na verdade achava que aquela era uma obrigação social de se apresentar ao mundo. Mas que, de fato, não fazia mais sentido pra ela carregar esse “rótulo” após 03 anos da morte do seu marido.

Na 3ª sessão, currículo modificado,  fizemos um mapeamento do mercado de trabalho, salário e cargos pretendidos; justamente para ela ter uma percepção real do mercado de trabalho. A partir daquele momento ficou combinado: começar a se candidatar para novas vagas (com o currículo novo) e trabalharmos estrategicamente, nas sessões seguintes, o que precisava ser feito para ampliar as suas possibilidades no mercado de trabalho.

Depois de um bom tempo desenvolvendo esse trabalho, ela já estava fazendo uma nova pós-graduação em gestão de pessoas (isso estava dentro do seu escopo de atuação). Seis meses após a última sessão, ela retornou com uma nova demanda e com uma boa notícia: estava de volta à ativa. Trabalhando numa empresa, na área administrativa, e agora se sentia pronta para alçar novos voos.

Às vezes, pode parecer um detalhe. Da construção de um currículo até a forma que a gente se posiciona no nosso cargo, tudo faz diferença quando precisamos nos posicionar com a nossa carreira no mercado de trabalho. Nesse caso, a Adriana precisava alinhar a maneira como ela se sentia + a forma como as pessoas a enxergavam + o jeito que ela se apresentava formalmente para o mercado de trabalho. Quando ela criou a consciência disso tudo, mudou sua atitude e abordagem para as relações profissionais. Então, as outras estratégias fluíram de maneira mais natural para a sua reinserção no mundo do trabalho.

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*Cristiano Saback é consultor de carreira há mais de 20 anos e um entusiasta de pessoas. Atende clientes que buscam desenvolvimento profissional. Formado em comunicação, é também  pós-graduado em psicologia analítica, em psicopedagoia e em potenciais da imagem. Além das suas formações em assessment e  em análise comportamental. Apresenta o programa Carreira & Sucesso na Educadora FM, diretor do Instituto Inteligência Interpessoal e dá palestra e treinamentos para pequenas, médias e grande empresas.

Você pode entrar em contato para evoluir na sua carreira, posicionar-se melhor no mercado de trabalho ou na empresa que você trabalha. Atendimento presencial e online (com desconto). É só enviar um e-mail no formulário no fim dessa página.

*Os fatos são reais. Os nomes e locais onde ocorreram essa experiência são modificados.